ESTADO SOCIAL

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Produtos made in Portugal

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As exportações de Portugal têm tradicionalmente uma forte componente de tecnologia e têm sido suportadas por três grupos de produtos: (1) electrónica e componentes para máquinas (p.ex. da Qimonda); (2) veículos automóveis (p.ex. da AutoEuropa); (3) têxteis (p.ex. da Coindu que fabrica componentes para a indústria automóvel). Estes três grupos de produtos representavam em 2000 mais de 50% das nossas exportações.

No entanto, na última década, estes produtos perderam competitividade internacional e em 2010 representam menos de 30% das exportações portuguesas. De facto, enquanto as exportações totais cresceram 3% ao ano, a exportação de electrónica caiu 2% ao ano, a exportação de automóveis estagnou sem crescimento e as exportações de têxteis perderam em média 7% ao ano na última década.

Apesar desta tendência, as exportações portuguesas não estão a definhar – estão a mudar de perfil.

Há um conjunto de produtos portugueses com competitividade internacional cujas exportações crescem a ritmo acelerado: (1) alimentação processada e bebidas, 5% ao ano; (2) minerais, 15% ao ano; (3) plásticos e borrachas, 7% ao ano e (4) vegetais, 7% ao ano. De facto, estes produtos representavam em 2000 ~11% das exportações e agora representam ~18%.

Estes produtos parecem, por um lado, menos vulneráveis à concorrência, baseada em mão de obra barata, de economias emergentes e, por outro lado, ser bem aceites, tendo origem portuguesa, nos nossos principais mercados.

Se o estado e sobretudo a classe empresarial estiver atenta a esta evolução de perfil – pode ser uma boa oportunidade para criar clusters produtivos com forte capacidade exportadora e competitividade global. A marca made in Portugal tem que passar a ser percepcionada internacionalmente como garantia de qualidade distintiva num conjunto (necessariamente muito limitado) de indústrias.

A título de exemplo, a Suíça (que tem metade da área de Portugal e o dobro do PIB) seguiu este percurso e especializou-se na industria química e alimentar, na relojoaria e na banca (note-se que até no negócio bancário – que tipicamente funciona numa lógica de proximidade servindo um mercado doméstico – inovou ganhando um perfil distintivo que lhe permite competir internacionalmente na captação de recursos).

Em síntese, a estratégia é relativamente simples: Identificar indústrias em que temos vantagem competitiva; especializar a produção nessas indústrias maximizando escala, eficiência e qualidade; exportar promovendo o prestígio da marca “made in Portugal”.

Fonte dos dados: INE. Análise PH.

Written by PH

2010/06/25 at 22:58

Posted in Balança de pagamentos

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