ESTADO SOCIAL

Mais vale rico e saudável que pobre e doente

Archive for July 2010

O desfibrilador político

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O coração do país está doente. Este diagnóstico tem promovido (gerado) um naipe de políticos cardiologistas – especialistas na reanimação cardiovascular pela utilização do desfibrilador.

  • Durão Barroso ganhou eleições prometendo um choque fiscal que, como abandonou o governo, não realizou.
  • Pedro Santana Lopes prometeu um choque de gestão que, talvez porque o Presidente dissolveu a Assembleia, não realizou.
  • Paulo Portas defendeu que o país precisa de um choque de valores. Ficou a sugestão. Nada mais.
  • José Sócrates ganhou eleições prometendo um choque tecnológico de que realizou muito pouco. Foi mais um toque que um choque.

Manuela Ferreira Leite perdeu as eleições precisamente porque não mostrou competência de cardiologista. O país caído no chão, contorcido com dores no peito, a implorar por um desfibrilador… e a Sr.ª Dr.ª Leite, com ar de quem não se comove – absolutamente seca – ia explicando que o país está assim porque tem consultado um cardiologista aldrabão, que não tirou o curso, que recebe luvas para passar atestados médicos. Dizia ao país, que se queixava de forte arritmia cardíaca, que a prioridade seria tratar um problema pulmonar responsável pela asfixia (democrática) – que o país não sentia.

O país prostrado, de peito apertado, tinha que escolher entre Leite e Sócrates que, mais ou menos honesto, se apresentava com o desfibrilador na mão. Em crise cardíaca, o país nem hesitou.

Pedro Passos Coelho, melhor político que Manuela Ferreira Leite, apresentou recentemente ao país o seu desfibrilador – a revisão constitucional. Só não lhe chamou choque constitucional porque não se limita à constituição – em breve veremos mais propostas. Não lhe chamou choque liberal porque o sistema liberal está desprestigiado e o partido é social democrata (não é liberal). Não lhe chamou simplesmente choque… porque com a história recente o termo choque soa a corrente de baixa tensão.

O desfibrilador de Pedro Passos Coelho é mais polémico que o dos seus antecessores porque é mais sério:

  • O choque fiscal baseava-se numa redução do IRC cuja perda de receita receita seria compensada com desenvolvimento económico. Ninguém teria que se esforçar mais ou suportar custos de ajustamento. Um milagre económico. Inviável, claro.
  • O choque de gestão é intuitivo… se as coisas estão mal, temos que gerir melhor, claro. O quê e como… depois logo se vê. Suficientemente vago para não levantar resistências.
  • O choque tecnológico é igual ao choque fiscal, só que em vez de reduzir receita o Estado aumenta despesa para financiar desenvolvimento tecnológico que, resultando em desenvolvimento económico, permitirá remunerar o acréscimo de despesa do Estado. Não implica sacrifícios para os Portugueses e até é mais popular que o choque fiscal porque há mais famílias a desejar um Magalhães que empresários a pedir descida do IRC. Claro que também é completamente inviável.

O desfibrilador do Pedro Passos Coelho não é indolor como os outros. Vai forçar ajustamentos concretos, já documentados e apresentados. É exigente e impõem sacrifícios. Dá um verdadeiro choque. E é por isso que pode resultar e ajudar o país.

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Written by PH

2010/07/24 at 21:29

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Música

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Don’t believe in excess

Success is to give

Don’t believe in riches

But you should see where I live

U2 – Rattle and Hum – God Part II

And a preacher on the old time gospel hour

Stealing money from the sick and the old

Well the God I believe in isn’t short of cash, mister!

U2 – Rattle and Hum – Bullet the Blue Sky

Written by PH

2010/07/22 at 14:46

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Revisão constitucional: prós e contras

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Gostei deste texto, do Luís Menezes Leitão no Albergue Espanhol, que ilustra a reacção instintiva de muitos sociais democratas.

Em contra ponto, para temperar o instinto, vale a pena ler a argumentação do Marco António Costa.

Written by PH

2010/07/21 at 21:13

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Telefónica / Portugal Telecom

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Negotiating a divorce is even harder when the mother-in-law takes a seat at the table. The Portuguese government last month blocked Telefónica’s €7.2bn offer to buy Portugal Telecom out of Vivo, their joint mobile venture in Brazil. Now the Spaniards have ended attempts to revive the offer – they are (not unreasonably) tired of negotiating with shareholders and Portuguese politicians at the same time. Lisbon says it is acting in PT’s best interests; in fact it has damaged the company while doing Telefónica a favour.

Not that the deal is necessarily dead. Lisbon remains meddlesome by insisting that PT stay in Brazil: it could buy into a different Brazilian operator (probably Oi) and then take Telefónica’s money. But Oi’s ownership structure is complicated and if PT is to avoid a shareholder revolt it must secure more than a minority stake. Buying in Brazil would also be expensive: Telefónica’s offer, which valued Vivo at about 10 times expected earnings before interest, tax, depreciation and amortisation, has had the effect of inflating everyone else’s expectations. Telecom Italia, for example, would be unlikely to accept less than €13bn for its Brazilian mobile operator, Tim Brasil. The worst-case scenario for PT, meanwhile, would see Telefónica take the case successfully to arbitration court in The Hague, dissolve the joint venture and seize control on the cheap.

Indeed, Telefónica might have had a lucky escape. It would have struggled to make a return on the inflated price it offered for Vivo, especially as regulators will soon cut the rates mobile operators in Brazil charge each other to connect calls. That will erode revenues. The market has it right: since Lisbon waded in to protect Portuguese interests, Telefónica’s shares have risen 8 per cent, while PT’s have dropped 3.5 per cent. With friends like these …

Fonte: Financial Times

Written by PH

2010/07/19 at 18:00

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Miguel Pais do Amaral

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Está ligado aos movimentos monárquicos em Portugal? Não

E interesse, tem? Não me vai forçar a dar uma opinião sobre D. Duarte, pois não? [risos] Tenho grande respeito pela história e pelas instituições, e fica por aí. A questão de regime neste momento em Portugal não se põe.

Concordaria que se fizesse um referendo à monarquia em portugal? Seria mais prudente a quem propõe essas ideias fazer uma sondagem primeiro.

(…)

Consigo, o “Jornal Nacional” de sexta não teria existido com aquele registo e formato? Não subscrevo esse estilo de jornalismo, penso que esse jornal era de facto uma perseguição pessoal, não tenho grandes dúvidas quanto  a isso. E acredito que a televisão não deve servir  para perseguições pessoais e guerras políticas.

Miguel Pais do Amaral, entrevistado pela Revista Única, Expresso de 17 de Julho de 2010

Written by PH

2010/07/19 at 16:13

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Passos Coelho

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Pedro Passos Coelho, muito bem preparado, deu ontem uma brilhante entrevista a Mário Crespo na SIC Notícias.

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Written by PH

2010/07/16 at 10:03

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A estratégia de Sócrates (e do PS)

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José Sócrates (1) faz e (2) resiste.

1. José Sócrates faz (não exaustivo):

  • Lançou as parafarmácias oferecendo conveniência, há muito disponível no estrangeiro, que estava vedada aos portugueses;
  • Lançou o simplex com resultados expressivos e sentidos pela população p. ex ao criar uma empresa ou ao pedir o cartão do cidadão;
  • Aliviou a Segurança Social atrasando a idade de reforma sem contestação popular;
  • Tirou a Manuela Moura Guedes da televisão;
  • Lançou as obras do TGV em plena crise económica;
  • Liderou a despenalização do aborto e a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

2. José Sócrates resiste (não exaustivo):

  • Resistiu à polémica em torno do seu curso superior;
  • Resistiu à polémica em torno da (irregular) utilização desse curso para assinar projectos;
  • Resistiu ao escândalo do Freeport;
  • Resistiu ao escândalo PT-TVI.

O PSD ultrapassou o PS nas sondagens. Muitos celebram. Isso não aflige Sócrates que não tem planos para se recandidatar. Cumprir dois mandatos completos e sair “em beleza”, chega perfeitamente para lhe permitir uma prestigiante carreira internacional. Liberalizador do aborto e do casamento homossexual. Visionário das energias renováveis. Campeão do controlo das contas públicas.

Se Sócrates chegar ao fim do mandato, a posição do PS nas sondagens é problema do seu sucessor no partido, não dele.

Até ao fim do mandato, Sócrates não faz questão de ser popular. Vai concentrar-se em continuar a fazer e continuar a resistir. Vai dirigir toda a sua energia para reduzir o défice e vai cumprir os objectivos com que se comprometeu, ganhando prestígio internacional.

Mais, vai fazê-lo ao estilo do PSD reduzindo a despesa do Estado. Não por achar que é o caminho mais certo mas sobretudo para desarmar o adversário. Quem aguentou a contestação dos professores já parte calejado para enfrentar o protesto popular que se adivinha.

No que depender de Sócrates, o PSD não vai ter pretexto para censurar e fazer cair o Governo. Já se viu, no tema das SCUT, que o Governo está preparado para ter máxima flexibilidade negocial. O PSD poderá cantar vitória em muitas batalhas negociais mas não terá facilidade em antecipar eleições.

Ao longo do mandato o PSD ficará “colado” a muitas medidas impopulares, que apoiará e promoverá, enquanto o futuro secretário-geral do PS e futuro candidato a Primeiro Ministro aguarda, resguardado, pelo momento certo para liderar a “contestação” interna (no PS) a Sócrates e demarcar-se publicamente do choque pesado, mas necessário, que entretanto Governo e PSD tiverem que infligir à população.

Written by PH

2010/07/15 at 09:52

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