ESTADO SOCIAL

Mais vale rico e saudável que pobre e doente

O desfibrilador político

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O coração do país está doente. Este diagnóstico tem promovido (gerado) um naipe de políticos cardiologistas – especialistas na reanimação cardiovascular pela utilização do desfibrilador.

  • Durão Barroso ganhou eleições prometendo um choque fiscal que, como abandonou o governo, não realizou.
  • Pedro Santana Lopes prometeu um choque de gestão que, talvez porque o Presidente dissolveu a Assembleia, não realizou.
  • Paulo Portas defendeu que o país precisa de um choque de valores. Ficou a sugestão. Nada mais.
  • José Sócrates ganhou eleições prometendo um choque tecnológico de que realizou muito pouco. Foi mais um toque que um choque.

Manuela Ferreira Leite perdeu as eleições precisamente porque não mostrou competência de cardiologista. O país caído no chão, contorcido com dores no peito, a implorar por um desfibrilador… e a Sr.ª Dr.ª Leite, com ar de quem não se comove – absolutamente seca – ia explicando que o país está assim porque tem consultado um cardiologista aldrabão, que não tirou o curso, que recebe luvas para passar atestados médicos. Dizia ao país, que se queixava de forte arritmia cardíaca, que a prioridade seria tratar um problema pulmonar responsável pela asfixia (democrática) – que o país não sentia.

O país prostrado, de peito apertado, tinha que escolher entre Leite e Sócrates que, mais ou menos honesto, se apresentava com o desfibrilador na mão. Em crise cardíaca, o país nem hesitou.

Pedro Passos Coelho, melhor político que Manuela Ferreira Leite, apresentou recentemente ao país o seu desfibrilador – a revisão constitucional. Só não lhe chamou choque constitucional porque não se limita à constituição – em breve veremos mais propostas. Não lhe chamou choque liberal porque o sistema liberal está desprestigiado e o partido é social democrata (não é liberal). Não lhe chamou simplesmente choque… porque com a história recente o termo choque soa a corrente de baixa tensão.

O desfibrilador de Pedro Passos Coelho é mais polémico que o dos seus antecessores porque é mais sério:

  • O choque fiscal baseava-se numa redução do IRC cuja perda de receita receita seria compensada com desenvolvimento económico. Ninguém teria que se esforçar mais ou suportar custos de ajustamento. Um milagre económico. Inviável, claro.
  • O choque de gestão é intuitivo… se as coisas estão mal, temos que gerir melhor, claro. O quê e como… depois logo se vê. Suficientemente vago para não levantar resistências.
  • O choque tecnológico é igual ao choque fiscal, só que em vez de reduzir receita o Estado aumenta despesa para financiar desenvolvimento tecnológico que, resultando em desenvolvimento económico, permitirá remunerar o acréscimo de despesa do Estado. Não implica sacrifícios para os Portugueses e até é mais popular que o choque fiscal porque há mais famílias a desejar um Magalhães que empresários a pedir descida do IRC. Claro que também é completamente inviável.

O desfibrilador do Pedro Passos Coelho não é indolor como os outros. Vai forçar ajustamentos concretos, já documentados e apresentados. É exigente e impõem sacrifícios. Dá um verdadeiro choque. E é por isso que pode resultar e ajudar o país.

Written by PH

2010/07/24 at 21:29

Posted in Política pura

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