ESTADO SOCIAL

Mais vale rico e saudável que pobre e doente

A maioria das pessoas é surpreendentemente feliz

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À medida que o rendimento cresce, as pessoas parecem não ficar mais felizes. Isto é óbvio no Japão, onde um longo período de crescimento [década de 50 à década de 90] não fez os japoneses ficarem mais felizes. Mas em Itália há uma ligação: os italianos parecem ficar mais felizes à medida que vão ganhando mais. Isto acontece porque o que interessa não é tanto o rendimento que se tem, mas a forma como ele se compara com o dos outros. Se ganhamos menos, mesmo que em termos absolutos sejamos bem pagos, ficamos infelizes. Este é um elemento novo na teoria económica.

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Níveis de rendimento muito baixos estão de facto correlacionados com mais infelicidade. Mas a partir de certo nível, o dinheiro perde o seu efeito como potenciador de satisfação.

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As pessoas vêem imensa televisão mas nós descobrimos que quanto mais televisão uma pessoa vê, menos feliz se sente. É um enorme problema de autocontrolo. Mas é importante referir que esta relação inversa acontece, sobretudo, com pessoas que têm muitas formas alternativas de gastar o seu tempo. Quem está desempregado ou tem uma doença que não lhe permite sair de casa não fica mais infeliz por ver mais TV.

O emprego por conta própria está altamente correlacionado com mais felicidade. Isto é curioso porque estas pessoas trabalham mais horas e normalmente estão em maior risco de terem um rendimento mais baixo. No entanto são mais felizes. Porquê? Porque o auto-emprego está relacionado com mais autonomia, mais auto-determinação. E as pessoas gostam disso.

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Numa escala de 1 a 10, a maior parte das pessoas escolhe um número entre 7 e 8, e há uma grande fatia que chega mesmo ao 9. Muito poucas escolhem 4 ou 5. Isto choca contra a ideia de que há muita infelicidade no mundo. A maior parte das pessoas é surpreendentemente feliz.

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Qual é a perda de felicidade que resulta de um problema físico? A resposta é surpreendente: no longo prazo, apenas os problemas altamente limitadores (como a perda da locomoção, por exemplo) tendem a diminuir o nível de felicidade. Na maioria dos casos, o nível de felicidade volta ao normal depois de um período de adaptação à nova condição. E a limitação pode inclusive levar o indivíduo a apostar em formas de passar o tempo em que antes nem sequer tinha pensado.

Fonte: Entrevista a Bruno Frey, Professor da Universidade de Zurique, publicada no Jornal de Negócios de 3 de Agosto

Written by PH

2010/08/05 at 13:05

Posted in Afinidades

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