ESTADO SOCIAL

Mais vale rico e saudável que pobre e doente

Archive for November 2010

É absolutamente necessário preservar a esperança

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Em viagem de negócios à Grécia encontro um país com a moral destroçada. Só se fala em crise e quase todos os gregos, de todos os estratos sociais, conhecem alguém, familiar ou amigo, em dificuldades económicas.

Um executivo grego contou que o seu pai que nasceu muito pobre (calçou os primeiros sapatos já adolescente) lhe diz que agora, apesar de viverem materialmente muito melhor, é o período mais deprimente da sua vida.

A diferença é que já não há esperança de um futuro melhor. Em cada momento da sua vida, desde os anos 50, sempre acreditou e confirmou que a década seguinte seria mais abundante, próspera e confortável. Mas agora, pela primeira vez, tem certeza de que só pode piorar. Já não consegue sonhar com um futuro mais feliz.

Written by PH

2010/11/29 at 23:06

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Pedro Passos Coelho ao Expresso

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Excelente entrevista.

… um poder de um partido e uma liderança afirmam-se na vitória que é legitimada no país. Uma liderança que não se afirma no país é um problema da liderança não das correntes do partido.

(…)

Estamos como quando Churchill, a seguir à guerra, disse que tudo o que tinha para oferecer era sangue, suor e lágrimas.

(…)

Podemos dizer que uma TAC hoje custa tanto em S. José como na CUF… Não, custa mais. Custa mais em S. José.

(…)

Não temos dinheiro para este sistema. Isto tem que ser dito. E quando digo não temos, não é o Estado, são os portugueses. O Serviço de Saúde, a Educação, o Seguro Social e os salários da Administração, isto junto consome já a totalidade dos nossos impostos e contribuições sociais. E ninguém dirá que o estado não é preciso noutras áreas. (…) Ou cortamos cegamente empurrados pela extrema necessidade ou cortamos com lógica de modo a defender os que têm menos recursos e a integridade e qualidade do serviço prestado.

(…)

Não ponho de parte que hospitais públicos tenham uma gestão privada. O Estado tem de ter benchmarks.

(…)

As PPP são um bom instrumento. Têm que ser bem utilizadas.

(…)

janelas que se vão fechar. A janela para o oriente através de Macau e Timor vai fechar-se se não a usarmos na próxima meia dúzia de anos. A janela para África. Outros, brasileiros, espanhóis, italianos, estão a usar essa janela. Para não falar do centro da Europa. E a língua deixará de ser uma barreira. Usamos muito a janela no caso angolano? Por desespero do mercado interno. Não houve uma estratégia nacional para agarrar oportunidades. O mesmo para o continente sul-americano.

(…)

A ligação com Espanha ocorreria por razões europeias. Mas não uma lógica externa, porque Espanha não é um mercado externo, é uma extensão do mercado português. Mercados externos estão na América do Sul, em África e no Oriente. E precisamos de ir para lá. 70%das nossas exportações estão na Europa e a Europa vai crescer miseravelmente nos próximos anos, tirando a Alemanha. Os dados do crescimento lento da Europa estavam disponíveis há 10 anos.

Written by PH

2010/11/28 at 23:30

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Geoestratégia

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Ainda em relação ao texto anterior, sobre os nossos vizinhos argelinos, note-se o seguinte sobre o nosso posicionamento geográfico.

Num raio de 2.000 Km à volta de Lisboa encontramos:

  • São Miguel a 1.429Km (não é capital de país mas serve de referência, para a escala, a Oeste);
  • Paris a 1.447Km;
  • Londres a 1.591Km;
  • Tunis a 1.711Km;
  • Roma a 1.869Km.

Berlim não cabe neste raio e está substancialmente mais longe que a capital da Tunísia.

Se quisermos considerar a distância até Berlim, como espaço natural de actuação para Portugal, vale a pena notar as seguintes distâncias:

  • Tripoli a 2.110Km;
  • Berlim a 2.312Km;
  • Nouakchott (Mauritania) a 2.373Km.

Julgo que muito poucos portugueses têm percepção de que a capital da Líbia é mais perto de Lisboa que a capital da Alemanha. Menos ainda terão a intuição de que a capital da Mauritania está à mesma distância que Berlim.

E se considerarmos as fronteiras mais remotas da Europa, encontramos num raio da mesma distância:

  • Atenas a 2.863Km;
  • Bamako (Mali) a 2.898Km;
  • Bucareste a 2.987Km;
  • Niamey (Nigéria) a 2.998Km;
  • Ouagadougou (Burkina Faso) a 3.010Km;
  • Muito mar.

Temos um posicionamento estratégico, de fronteira da Europa, que implica muitas desvantagens se nos focarmos exclusivamente no espaço europeu.

Por outro lado, se assumirmos integralmente e com orgulho a nossa diferença, talvez consigamos encontrar vantagens competitivas sustentáveis quer no mar quer na relação com África.

Sendo plenamente Europeus, devemos ser muito mais que uma cópia de má qualidade dos nossos pares da Europa Central. Somos Europeus com raio de acção que se estende de Berlim e Bucareste até Ouagadougou. E temos mar… MUITO mar.

Written by PH

2010/11/23 at 23:34

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Argélia

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O esforço de aproximação à Argélia que tem sido levado pelo Governo faz todo o sentido.

Num raio de 1.100Km à volta de Lisboa as únicas capitais que encontramos são:

  • Madrid a 496 Km
  • Rabat a 565 Km
  • Funchal a 964 Km (não é capital de país mas serve como referência, para a escala, a Oeste)
  • Alger a 1.085 Km

Paris, Londres e outras capitais europeias não cabem neste raio.

E o norte de África não é só próximo em distância. Tem uma proximidade histórica, biológica e cultural de que muitas vezes nos esquecemos (ou queremos esquecer).

Quem for à Argélia não pode deixar de reparar:

  • Que há semelhanças físicas entre povos (com a nossa história o DNA português tem necessariamente muito de mouro);
  • Que os doces regionais algarvios são exactamente iguais aos doces argelinos;
  • Que há palavras que usamos todos os dias que os argelinos também usam (p.ex. azeitona; tâmara).

E, a nível mundial, a Argélia é o quarto maior exportador de gás natural e é o décimo quinto em reservas de petróleo.

Written by PH

2010/11/11 at 19:47

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Quem vai à guerra dá e leva

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Home page do FT.com, agora.

O BES terminou o contrato com a Fitch.

Written by PH

2010/11/09 at 15:14

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Abstenção representada no Parlamento

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Devia haver lugares vazios no Parlamento em função da abstenção.

D. Carlos Azevedo, hoje no Prós e Contras, RTP1

Written by PH

2010/11/09 at 00:19

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Equidade entre gerações

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Como consequência da inflexibilidade laboral, que protege os que já têm emprego, o desemprego juvenil está a crescer para níveis muito elevados.

De facto, dadas as restrições ao despedimento individual, cada empregado funciona como um monopolista na sua função – protegido da concorrência da juventude que vai entrando no mercado de trabalho.

Quem está empregado pode capturar rendas de  monopólio – explorando a latitude significativa entre a exigência que lhe é colocada pelo patrão (num extremo) e o ponto em que arriscaria o despedimento por justa causa (noutro extremo). Esta exploração, que só tem limite na moralidade do trabalhador, resulta em perda de produtividade (ganho de tranquilidade para o trabalhador).

O empregador, confrontado com casos individuais de reduzida produtividade (ainda suficiente para evitar despedimento com justa causa), não tem instrumentos para reduzir salários individuais ajustando a remuneração ao trabalho prestado. Assim, é forçado a antecipar o risco de perda de produtividade reduzindo o salário geralmente oferecido para novos contratos – solução mais injusta porque indiscriminada (antes de contratar não há forma de identificar os trabalhadores que se vão acomodar).

Por outro lado, quem está fora do mercado de trabalho está impossibilitado de competir. Mesmo que ofereça as mesmas capacidades por um salário inferior não consegue destronar quem já tem emprego.

Aos jovens que não tenham capacidade de risco, para emigrar ou montar empresas, resta-lhes substituir reformados ou ocupar os escassos postos de trabalho que forem sendo criados por desenvolvimento económico.

Fonte da imagem: Capa do Jornal I de hoje

Written by PH

2010/11/03 at 22:28

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