ESTADO SOCIAL

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Archive for the ‘Balança de pagamentos’ Category

Ainda sobre a golden share

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Não consigo perceber o apoio político quase generalizado, do PCP ao CDS, com excepção do PSD, à utilização da golden share para vetar um negócio na PT.

  1. Referem que a Vivo tem importância estratégica mas não reconhecem a importância (estratégica) de 7.150 milhões de euros. Até parece que a PT se preparava para oferecer a Vivo à Telefónica, gratuitamente, num acto de loucura.
  2. A balança de pagamentos está persistentemente negativa e portanto precisamos de atrair capital estrangeiro para financiar a nossa economia. Os 7.150 milhões de euros permitiriam à PT pagar as suas dívidas e simultaneamente injectar um volume significativo de dinheiro no nosso sistema financeiro em dificuldades. De passagem a PT ficaria com um balanço muito robusto e, portanto, bem preparada para atravessar  as restrições ao financiamento que se adivinham. Se isto não é estratégico, nesta altura, não sei o que é.
  3. A Vivo actua no Brasil (i.e. emprega sobretudo brasileiros). Os 7.150 milhões de euros, depois de passados à banca portuguesa, quer por dividendo extraordinário quer por amortização de dívida da PT, seriam utilizados para financiar empresas portuguesas (i.e. que empregam sobretudo trabalhadores portugueses).
  4. Accionistas que representam 74% do capital da PT, depois de fazerem contas, entenderam que os 7.150 milhões de euros valem mais que as acções da Vivo que a PT detém e, portanto, decidiram vender. O Estado e todos os partidos políticos acham que é mau negócio para o país. Então qual é o valor que acham justo? É que deve haver um número!… ou também não vendiam mesmo se a Telefónica pagasse 71.500 milhões de euros?

Com a balança de pagamentos persistentemente negativa temos três hipóteses:

  1. Passamos a exportar muito mais e a importar muito menos. Não vai acontecer no curto prazo.
  2. Continuamos a aumentar o endividamento. Os financiadores internacionais não nos vão emprestar muito mais dinheiro a taxas que possamos pagar.
  3. Vendemos activos. Por exclusão de partes, a médio prazo, parece inevitável.

A ser assim, se não querem vender a Vivo, qual é o outro activo, com compradores interessados, que vão vender???

Written by PH

2010/07/01 at 23:55

A importância do turismo

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As exportações de produtos representam mais de metade dos créditos (entrada de dinheiro) na nossa balança de transacções correntes.

No entanto, nenhum dos produtos exportados é individualmente mais importante que o turismo. Concretamente, as exportações de turismo valem ~7 mil milhões de euros por ano i.e. ~150% do valor das exportações de electrónica e componentes para máquinas (a categoria de produtos que mais exportamos).

Fonte: Banco de Portugal. Análise PH

Written by PH

2010/06/26 at 23:11

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Produtos made in Portugal

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As exportações de Portugal têm tradicionalmente uma forte componente de tecnologia e têm sido suportadas por três grupos de produtos: (1) electrónica e componentes para máquinas (p.ex. da Qimonda); (2) veículos automóveis (p.ex. da AutoEuropa); (3) têxteis (p.ex. da Coindu que fabrica componentes para a indústria automóvel). Estes três grupos de produtos representavam em 2000 mais de 50% das nossas exportações.

No entanto, na última década, estes produtos perderam competitividade internacional e em 2010 representam menos de 30% das exportações portuguesas. De facto, enquanto as exportações totais cresceram 3% ao ano, a exportação de electrónica caiu 2% ao ano, a exportação de automóveis estagnou sem crescimento e as exportações de têxteis perderam em média 7% ao ano na última década.

Apesar desta tendência, as exportações portuguesas não estão a definhar – estão a mudar de perfil.

Há um conjunto de produtos portugueses com competitividade internacional cujas exportações crescem a ritmo acelerado: (1) alimentação processada e bebidas, 5% ao ano; (2) minerais, 15% ao ano; (3) plásticos e borrachas, 7% ao ano e (4) vegetais, 7% ao ano. De facto, estes produtos representavam em 2000 ~11% das exportações e agora representam ~18%.

Estes produtos parecem, por um lado, menos vulneráveis à concorrência, baseada em mão de obra barata, de economias emergentes e, por outro lado, ser bem aceites, tendo origem portuguesa, nos nossos principais mercados.

Se o estado e sobretudo a classe empresarial estiver atenta a esta evolução de perfil – pode ser uma boa oportunidade para criar clusters produtivos com forte capacidade exportadora e competitividade global. A marca made in Portugal tem que passar a ser percepcionada internacionalmente como garantia de qualidade distintiva num conjunto (necessariamente muito limitado) de indústrias.

A título de exemplo, a Suíça (que tem metade da área de Portugal e o dobro do PIB) seguiu este percurso e especializou-se na industria química e alimentar, na relojoaria e na banca (note-se que até no negócio bancário – que tipicamente funciona numa lógica de proximidade servindo um mercado doméstico – inovou ganhando um perfil distintivo que lhe permite competir internacionalmente na captação de recursos).

Em síntese, a estratégia é relativamente simples: Identificar indústrias em que temos vantagem competitiva; especializar a produção nessas indústrias maximizando escala, eficiência e qualidade; exportar promovendo o prestígio da marca “made in Portugal”.

Fonte dos dados: INE. Análise PH.

Written by PH

2010/06/25 at 22:58

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Em relação ao texto anterior

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Ainda ontem escrevi: “…enquanto não começarmos o tratamento vamos continuar a aumentar o endividamento e a vender empresas (Cimpor; Vivo; etc.) ao estrangeiro”

Hoje, segundo o Jornal de Negócios:

A Brisa anunciou que chegou a acordo para a venda de 6% do capital da CCR. Posteriormente irá alienar a posição remanescente, sendo que a venda dessa deverá ter lugar nas próximas três a quatro semanas, disse Vasco de Mello. No total, a Brisa deverá encaixar cerca de 1.200 milhões de euros.

Fonte: Jornal de Negócios

Written by PH

2010/06/23 at 12:45

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Exportações e protecção do emprego

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Com a balança de pagamentos persistentemente e significativamente negativa, se ainda usássemos o escudo como moeda, aconteceria uma desvalorização cambial que (empobrecendo os portugueses) baixaria o custo relativo de produzir em Portugal e nos ajudaria a incrementar as exportações.

Hoje usamos a mesma moeda que os nossos principais clientes – o Euro – pelo que este mecanismo automático não funciona.

Daí que esteja a emergir em força a discussão sobre a protecção do emprego. Como não há desvalorização automática dos custos de produção – nomeadamente salários – por via cambial, só restam duas alternativas (que devem ser combinadas):

  1. Estagnar (ou reduzir) os salários nominais distribuindo o impacto da falta de competitividade por toda a população e penalizando mesmo aqueles que merecem um aumento de salário.
  2. Empregar menos recursos no processo produtivo do estado e empresas – aumentando o desemprego e a emigração.

A primeira opção incentiva os nossos melhores recursos a sair do país. A segunda opção tem custos pesados para os trabalhadores mais vulneráveis (menos jovens; menos educados; etc.).

A cura não é agradável mas enquanto não começarmos o tratamento vamos continuar a aumentar o endividamento e a vender empresas (Cimpor; Vivo; etc.) ao estrangeiro.

A não ser que acreditemos que a curto prazo vamos desenvolver forte capacidade exportadora em resultado da descoberta de um activo distintivo: Vamos encontrar petróleo, gás natural, diamantes, ouro ou qualquer outro recurso natural valioso e exportável em elevada quantidade? Vamos desenvolver tecnologia e registar patentes que permitam criar uma Microsoft portuguesa?

Enfim, quanto mais adiarmos… pior.

Fonte: INE. Análise PH.

Written by PH

2010/06/22 at 22:39

União Europeia

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O saldo da balança de pagamentos é profundamente e consistentemente negativo apesar da UE “oferecer” a Portugal 100 a 300 milhões de euros por mês.

Só nos últimos 10 anos já embolsámos ~20 mil milhões de euros (i.e. mais que o triplo do futuro investimento do estado no TGV).

Não é por insuficiente integração europeia que temos graves problemas económicos.

Fonte: Dados do Banco de Portugal. Análise PH.

Written by PH

2010/06/18 at 00:46

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Medida da nossa competitividade

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O saldo da nossa balança de pagamentos é assustador. Quase todos os meses pagamos ao estrangeiro mais 1.000 a 2.000 milhões de euros do que recebemos.

Written by PH

2010/06/16 at 23:20

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