ESTADO SOCIAL

Mais vale rico e saudável que pobre e doente

Archive for the ‘Dívida pública’ Category

Excerto de um email que recebi de um banqueiro grego

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[… apagado intencionalmente …]

Anyway, the news are good in the sense that we stop discussing about leaving the eurozone. (at least for some time).

The bank is holding on. [… apagado intencionalmente …]

In the meantime we are downsizing strongly, in an effort to control expenses since income becomes harder and harder to gain.

Everyone is poorer, either because they are unemployed or because their income has gone down by at least 30% due to tax increases only. If you add the decrease of the actual salaries you can imagine. Most people are having problems regardless of what their job or income is. Everyone had adjusted their lifestyle to their previous income, you see. And now family income is going down but price levels are not following accordingly and paying back consumer / mortgage lending is definitely hard to tackle.

And all that, has a deep impact in the stability of people, families, social situation.

Personally, I am already looking for other opportunities outside the banking sector or abroad.

Other than that, today is a sunny day in Athens, and I want to believe that somehow things will get better.

[… apagado intencionalmente …]

 

Written by PH

2012/03/21 at 19:41

Grécia

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A Grécia, como Portugal, é um país demasiado endividado.

Mas o activo, contrapartida desse passivo, parece muito diferente entre os dois países (estou a usar linguagem empresarial porque me é difícil discutir dívida fora do contexto de um balanço – que é obrigatório para as empresas mas não está disponível para os países).

De facto, em Portugal construímos estradas e pontes fantásticas, telecomunicações de topo, a rede Multibanco, a Via Verde, casas novas de qualidade, espaços e equipamentos urbanos do melhor que há (p.ex a margem do Tejo em Lisboa; estádios de futebol novos).

Na Grécia o activo é mais difícil de encontrar: as estradas e ruas continuam degradadas e sujas; a construção é velha e de má qualidade… Com excepção do novo e fabuloso museu da Acrópole, não se percebe para onde foi o dinheiro. É preciso atenção e algum tempo para começar a notar…

… Está no pulso da classe média. Um Rolex é o mínimo aceitável para qualquer licenciado com poucos anos de experiência numa boa empresa. Os quadros de direcção vêem as horas em Vacheron.

… Passa a alta velocidade e estaciona nos parques dos melhores restaurantes junto ao mar – repletos de Porsche; Bentley; Ferrari, etc.

… Flutua ao largo de Mykonos enquanto os proprietários se divertem em férias de praia, num festim de luxo e consumo que paralisa Atenas no Verão.

Aparentemente os gregos consumiram o crédito que lhes foi concedido e agora sobra muito pouco: a memória da festa e uma ressaca que vai demorar a passar.

Não quero com isto dizer que teremos menores dificuldades no futuro. O problema de ambos os países tem mais semelhanças que diferenças: reside num passivo excessivo para a produtividade dos activos…

… E entre a produtividade de uma montanha de Rolex e de uma autoestrada SEM carros – venha o diabo e escolha.

(escrito num iPhone)

Written by PH

2010/12/01 at 14:17

O deficit de Portugal é caça grossa

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O Governo assumiu no PEC objectivos exigentes de redução do deficit para 7,3% em 2010 e 4,6% no próximo ano. O atraso na cobrança de portagens nas SCUT, a compra dos submarinos e outras dificuldades, tornam impossível cumprir esses objectivos sem medidas adicionais. O Governo reagiu apresentando um pacote de medidas que inclui a redução de despesa (p.ex. salários dos funcionários públicos) e o aumento da receita (p.ex. IVA).

A necessidade de medidas adicionais de redução do deficit era fácil de antecipar e o Governo demorou demasiado tempo a reagir.

As medidas apresentadas são uma espécie de tiro de caçadeira – uma chuva de pequenos chumbos que acertam em tudo o que estiver mais ou menos à frente da arma, sem grande precisão ou critério. Todos os portugueses ficam feridos, uns com um pequeno arranhão, outros com ferimentos mais profundos. Por outro lado, poucos ficam definitivamente incapacitados e ninguém morre.

O PSD tem a vantagem de ter promovido, antecipadamente e com maior ênfase, a necessidade do Estado cortar despesa. Tem no entanto a fragilidade de (tal como o PS) não ter apresentado propostas concretas com base ideológica que assegure diferenciação sustentável – de facto o  PS demorou mas, adoptando o objectivo de reduzir despesa, mitigou a diferenciação do PSD.

O PSD exige ainda a interrupção das parcerias público privadas (p.ex. o TGV ou as concessões do pinhal interior e do centro). O PS ainda resiste mas se tiver que ser, para evitar eleições, vai ceder. Para o Primeiro Ministro é incomparavelmente mais vantajoso ceder e mudar de opinião do que ir a votos arriscando perder.

A estratégia do PS – de se ir aproximando das reivindicações do PSD para desarmar o adversário – empurra a oposição para uma perigosa radicalização do discurso: “PSD não viabiliza um OE com aumento de impostos”. Saída perigosa porque provavelmente não há medidas de racionalização de custos com efeito suficientemente imediato para evitar a subida de impostos. Não é prudente deitar fora uma opção que, por definição, só se exerce quando se quiser – nunca pode ter valor negativo.

Nesta posição o PS vai pressionar o PSD a dizer quais são essas medidas de redução de custos, pronto para aceitar rapidamente quaisquer sugestões válidas e rejeitar – dramatizando – as que forem menos aproveitáveis. Se o PSD resistir a apresentar sugestões forçando uma crise política, arrisca-se a ganhar eleições e a chegar ao governo com as mãos atadas do lado da receita (já frisou que não aumenta impostos). Exactamente o que o PS mais deseja – um segundo Durão Barroso que lhes dê um par de anos para se reorganizarem e depois devolva o poder de bandeja.

O que é preciso é muito rapidamente o PSD (e o CDS) apresentar medidas concretas de redução de custos que reflictam uma posição ideológica vincada sobre o papel do Estado:

  • Quais os serviços que o Estado deve prestar? Há poupança ao transferir funções para o sector privado? Quais e como?
  • Qual deve ser a organização do Estado? É possível e há vantagem em fundir ou extinguir organismos? Quais?
  • Qual a dimensão ideal para o Estado? Quantos funcionários públicos deve ter? Faz sentido reduzir o número de funcionários públicos mais depressa do que o governo está a conseguir com as restrições à contratação? Como?
  • Faz sentido o Governo reduzir os salários dos funcionários públicos em função do que cada um ganha (medida claramente socialista) ou há forma mais aproximada do reconhecimento do mérito / valor acrescentado? Faz sentido reduzir drasticamente (p.ex. 25%) o salário de alguns funcionários menos úteis, para poder manter e até aumentar a remuneração de outros? Quais e quanto?

Uma proposta com uma camada ideológica robusta, incompatível com o DNA do PS, não poderá ser por este assimilada. Oferece uma escolha concreta aos portugueses, aponta caminhos diferentes e alimenta a esperança.

O deficit de Portugal é caça grossa. Em vez de mais tiros de caçadeira, precisamos de um tiro com uma carabina de alta potência e precisão – directamente ao coração.

Written by PH

2010/10/11 at 14:20

Eu avisei

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A redução de despesa, que hoje foi anunciada pelo Estado, já tinha sido prevista e avisada neste blog.

Written by PH

2010/09/29 at 19:47

Comparação internacional da dívida do Estado

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Japão, Grécia e Itália têm dívida claramente superior à Portuguesa.

Estados Unidos em linha com Portugal.

Reino Unido, França, Irlanda, Espanha e Alemanha têm dívida inferior à Portuguesa.

Todos estes países com incremento significativo do endividamento nos últimos anos.

Written by PH

2010/09/27 at 21:48

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Estado paga progressivamente mais para ser financiado (#2)

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O Estado está a pagar cada vez mais para conseguir financiamento a 10 anos. A taxa da operação de ontem é ~40% superior à taxa que se verificava há 5 meses.

Fonte: Dados IGCP; Análise PH

Written by PH

2010/09/23 at 07:50

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Portugal vows to cut deficit…

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A propósito do que escrevi no texto anterior.

Data released this week showed Portugal to be the only peripheral eurozone member to have failed to make significant progress in consolidating its public finances this year, with the deficit increasing by €400m in the first seven months compared with the same period last year.

Fonte: Financial Times de hoje

Written by PH

2010/09/22 at 22:21

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