ESTADO SOCIAL

Mais vale rico e saudável que pobre e doente

Archive for December 2010

António Nogueira Leite

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À partida, entre vários livros que foram publicados nos últimos meses sobre os problemas económicos do país, este livro seria apenas mais um.

Para além desta saturação do mercado, o formato de entrevista (que tende a aligeirar o conteúdo) e o dramático título a vermelho “uma tragédia portuguesa” não me seduziram.

Confesso que comecei a ler o livro sobretudo porque sou amigo do António, que conheço há 14 anos e que teve muita influência positiva – sobretudo pelo exemplo – nos três primeiros anos da minha carreira profissional.

Acabei agora de ler o livro e reparo que por impulso (gosto de preservar os livros) sublinhei passagens em metade das páginas. O livro é muito bom. Vale a pena ler e reler.

  • É bom porque resume de forma sistemática e clara os principais eventos económicos e políticos que marcaram o país nas últimas décadas.
  • É bom porque é um livro corajoso. Não se limita a apresentar dados para o leitor tirar conclusões. O António apresenta a sua interpretação pessoal não evitando apontar nominalmente aqueles que entende serem responsáveis – em TODOS os quadrantes políticos e empresarias.
  • É bom porque é um livro generoso. Num país pequenino, cheio de invejas, o António voa mais alto e reconhece de forma directa, nominal e repetida o valor daqueles que têm apontado caminhos válidos.
  • É bom porque é um livro atrevido com um registo intimista p.ex. sobre a passagem do autor pelo Governo de António Guterres.

Bravo!!!

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Written by PH

2010/12/06 at 00:29

Posted in Afinidades, Cultura

Grécia

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A Grécia, como Portugal, é um país demasiado endividado.

Mas o activo, contrapartida desse passivo, parece muito diferente entre os dois países (estou a usar linguagem empresarial porque me é difícil discutir dívida fora do contexto de um balanço – que é obrigatório para as empresas mas não está disponível para os países).

De facto, em Portugal construímos estradas e pontes fantásticas, telecomunicações de topo, a rede Multibanco, a Via Verde, casas novas de qualidade, espaços e equipamentos urbanos do melhor que há (p.ex a margem do Tejo em Lisboa; estádios de futebol novos).

Na Grécia o activo é mais difícil de encontrar: as estradas e ruas continuam degradadas e sujas; a construção é velha e de má qualidade… Com excepção do novo e fabuloso museu da Acrópole, não se percebe para onde foi o dinheiro. É preciso atenção e algum tempo para começar a notar…

… Está no pulso da classe média. Um Rolex é o mínimo aceitável para qualquer licenciado com poucos anos de experiência numa boa empresa. Os quadros de direcção vêem as horas em Vacheron.

… Passa a alta velocidade e estaciona nos parques dos melhores restaurantes junto ao mar – repletos de Porsche; Bentley; Ferrari, etc.

… Flutua ao largo de Mykonos enquanto os proprietários se divertem em férias de praia, num festim de luxo e consumo que paralisa Atenas no Verão.

Aparentemente os gregos consumiram o crédito que lhes foi concedido e agora sobra muito pouco: a memória da festa e uma ressaca que vai demorar a passar.

Não quero com isto dizer que teremos menores dificuldades no futuro. O problema de ambos os países tem mais semelhanças que diferenças: reside num passivo excessivo para a produtividade dos activos…

… E entre a produtividade de uma montanha de Rolex e de uma autoestrada SEM carros – venha o diabo e escolha.

(escrito num iPhone)

Written by PH

2010/12/01 at 14:17